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Operação Sem Refino: entenda as investigações contra Cláudio Castro e Ricardo Magro, dono da Refit

Polícia Federal apura fraudes fiscais e evasão de recursos pela Refit, a antiga refinaria de combustíveis de Manguinhos. O grupo é considerado um dos maiores devedores de impostos do país.

Por Guilherme Peixoto, Marco Antônio MartinsMárcio FalcãoMariana QueirozRafael Nascimento, g1 Rio e TV Globo

16/05/2026 00h01  Atualizado há 4 horas

  • A Polícia Federal deflagrou a Operação Sem Refino, que investiga um suposto esquema de fraudes fiscais, evasão de recursos públicos e favorecimento ilegal ao Grupo Refit, a antiga Refinaria de Manguinhos.
  • Um dos alvos da operação foi o ex-governador do RJ, Cláudio Castro, acusado pelos investigadores de usar a estrutura do estado para beneficiar o grupo empresarial comandado por Ricardo Magro, dono da Refit.
  • O empresário Ricardo Magro teve a prisão decretada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Como ele mora em Miami, nos Estados Unidos, já é considerado foragido.
PF faz buscas na casa de ex-governador Cláudio Castro

PF faz buscas na casa de ex-governador Cláudio Castro

A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira (15) a Operação Sem Refino, que investiga um suposto esquema de fraudes fiscaisevasão de recursos públicos e favorecimento ilegal ao Grupo Refit, a antiga Refinaria de Manguinhos, considerado um dos maiores devedores de impostos do país.

Um dos alvos da operação foi o ex-governador do RJ, Cláudio Castro, acusado pelos investigadores de usar a estrutura do estado para beneficiar o grupo empresarial comandado por Ricardo Magro, dono da Refit. Agentes fizeram buscas no apartamento de Castro, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio.

O empresário Ricardo Magro teve a prisão decretada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Como ele mora em Miami, nos Estados Unidos, já é considerado foragido. O STF também pediu a inclusão do nome dele na lista da Interpol — mecanismo internacional para captura de foragidos.

A PF suspeita que servidores públicos tenham recebido benefícios para deixar a Refit operar. O esquema envolveria integrantes da Secretaria Estadual de Fazenda, Procuradoria-Geral do Estado, Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e até membros do Tribunal de Justiça do Rio.

O ex-governador Cláudio Castro — Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O ex-governador Cláudio Castro — Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Veja abaixo perguntas e respostas sobre a operação.

O que é a Operação Sem Refino?

É uma operação da Polícia Federal que investiga suspeitas de fraudes fiscais e favorecimento ilegal ao Grupo Refit, antiga Refinaria de Manguinhos.

Segundo a investigação, órgãos do Governo do RJ atuaram para beneficiar a empresa, considerada um dos maiores devedores de impostos do país.

Quem foram os principais alvos da operação?

A operação teve 17 mandados de busca e apreensão e um de prisão.

Além de Castro e Magro, também estiveram entre os alvos da PF o desembargador afastado Guaraci Vianna, o ex-secretário estadual de Fazenda Juliano Pasqual, o ex-procurador-geral do estado Renan Saad, o ex-presidente do Inea Renato Jordão Bussiere, o policial civil Maxwel Moraes Fernandes e Álvaro Barcha Cardoso, apontado como o operador de pagamentos de propinas a servidores públicos, entre outros investigados.

Refit — Foto: Reprodução/TV Globo

Por que Cláudio Castro foi alvo da operação?

Segundo a investigação, Cláudio Castro teria usado a estrutura do governo estadual para favorecer interesses da Refit.

A PF afirma que mudanças em cargos estratégicos do governo foram feitas para beneficiar o grupo empresarial.

O que foi apreendido na casa de Castro?

Agentes fizeram buscas no apartamento do ex-governador, na Península, na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste. Foram apreendidos: um celular; um tablet; e documentos. Castro acompanhou as buscas.

“A busca ocorreu sem qualquer contratempo, sem qualquer anormalidade. Ele colaborou com os policiais e agora nós estamos buscando a decisão pra entender melhor o que aconteceu”, disse o advogado de Castro, Carlo Luchione.

Quem é Ricardo Magro?

O empresário Ricardo Magro, dono da Refit — Foto: Fantástico/ TV Globo

O empresário Ricardo Magro, dono da Refit — Foto: Fantástico/ TV Globo

Ricardo Magro é o empresário que controla o grupo Refit, antiga Refinaria de Manguinhos. Ele teve a prisão decretada pelo STF e é considerado foragido. Segundo a PF, ele mora em Miami, nos Estados Unidos. O STF também determinou a inclusão do nome dele na lista da Interpol.

Por que a Refit é investigada?

A investigação aponta suspeitas de fraudes fiscais bilionárias e atuação irregular do grupo com apoio de agentes públicos.

Segundo a PF, órgãos estaduais ajudavam a empresa a continuar operando e dificultavam a atuação de concorrentes.

PF afirma que Governo do RJ atuava para favorecer o grupo Refit

PF afirma que Governo do RJ atuava para favorecer o grupo Refit

O que é a “Lei Ricardo Magro”?

É como ficou conhecida uma lei criada durante o governo Cláudio Castro para parcelamento de dívidas tributárias.

Segundo a PF, a medida teria beneficiado diretamente a Refit, permitindo redução de até 95% da dívida da empresa com o estado.

O que a investigação diz sobre a Secretaria de Fazenda?

Segundo a PF, a Secretaria Estadual de Fazenda virou uma extensão da estrutura do Grupo Refit, ajudando em atos que facilitavam a sua operação e ao mesmo tempo afastavam as empresas concorrentes.

Investigadores tiveram acesso a mensagens entre Álvaro Barcha, apontado como lobista da Refit, e Carlos Eduardo França de Araújo, auditor fiscal que trabalhava na Secretaria de Fazenda.

Segundo a investigação, os dois falavam sobre duas empresas que tentavam entrar no mercado e precisavam de inscrição estadual.

Refit: veja o histórico de investigações no grupo empresarial

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Quem é Álvaro Barcha Cardoso?

PF apreendeu R$ 1,1 milhão em moeda estrangeira na Operação Sem Refino — Foto: Divulgação

PF apreendeu R$ 1,1 milhão em moeda estrangeira na Operação Sem Refino — Foto: Divulgação

Segundo a investigação, ele atuava como lobista e operador de pagamentos de propina do esquema. Ele foi preso em flagrante por porte ilegal de arma após a polícia encontrar três armas sem registro na casa dele.

Os agentes também apreenderam cerca de R$ 1,1 milhão em dólares e euros, além de carros de luxo.

O que a PF diz sobre Renan Saad?

A PF afirma que, a pedido de Castro, o ex-procurador-geral do Estado sustentou que a paralisação da Refit — interditada pela Agência Nacional de Petróleo (ANP) na Operação Cadeia de Carbono — comprometeria a arrecadação de um estado em Regime de Recuperação Fiscal e ameaçaria o cronograma de pagamento do parcelamento da dívida firmado pela empresa.

Qual é a relação do Inea com o caso?

Segundo a investigação, o Inea concedeu licenças ambientais à Refit contrariando pareceres técnicos. O então presidente do órgão, Renato Jordão Bussiere, também foi alvo da operação.

A PF diz ainda que o Inea também se opôs à determinação da ANP de esvaziar todo o estoque da refinaria quando ela foi interditada em setembro do passado.

Por que um desembargador é investigado?

O desembargador Guaraci Vianna — Foto: Reprodução/TV Globo

FONTE- Gl

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