domingo, junho 7, 2026
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Eleições 2026: Lula e Flávio Bolsonaro ainda costuram palanques nos oito maiores colégios eleitorais do país

Lula traça estratégias em São Paulo e em Pernambuco. Flávio busca alianças para definir situação na Bahia e no Ceará. Cenário em Minas Gerais preocupa as duas candidaturas.

Por Caetano Tonet, g1 — Brasília

07/06/2026 00h01  Atualizado há 18 minutos

  • Lula e Flávio Bolsonaro enfrentam desafios para definir palanques nos 8 maiores colégios eleitorais do país, que concentram quase 70% dos eleitores brasileiros.
  • Em São Paulo e Minas Gerais, Lula tenta resolver impasses internos, enquanto Flávio Bolsonaro busca consolidar apoios em estados do Nordeste – onde o petista é forte.
  • No Sul e Nordeste, as articulações avançam com palanques definidos no Rio Grande do Sul, mas enfrentam instabilidade e disputas locais em Pernambuco e no Ceará.
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) — Foto: Reprodução

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) — Foto: Reprodução

A cerca de dois meses do início oficial do período eleitoral, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ainda enfrentam desafios para a formação de palanques nos oito maiores colégios eleitorais do país.

São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia, Paraná, Rio Grande do Sul, Pernambuco e Ceará somam mais de 100 milhões de eleitores e correspondem a quase 70% do total de brasileiros aptos a votar neste ano.

Do lado do presidente Lula, a campanha precisa resolver impasses em São Paulo e Minas Gerais, os dois maiores colégios eleitorais do país, e trabalhar para viabilizar o palanque duplo em Pernambuco.

Já Flávio Bolsonaro enfrenta dificuldades para fechar palanques na Bahia, em Pernambuco e no Ceará, estados onde Lula é forte e teve 72%, 67% e 70% dos votos em 2022, respectivamente.

Agora no g1

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Veja abaixo como está o cenário nos oito maiores colégios eleitorais (clique para seguir ao conteúdo):

São Paulo

Maior colégio eleitoral do país, com 31,2 milhões de eleitores, São Paulo terá novamente Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT) encabeçando os palanques dos dois favoritos às eleições desse ano.

Do lado de Lula, o presidente entregou a Haddad a missão de disputar uma revanche com Tarcísio em 2026 na disputa pelo governo, mas precisa resolver um impasse entre três ex-ministros sobre a candidatura ao Senado.

A chapa considerada ideal e que lidera pesquisas de intenção de voto tem Simone Tebet (PSB), que comandou o Planejamento, e Marina Silva (Rede), que esteve à frente do Meio Ambiente.

Há ainda o desejo de Márcio França (PSB). O ex-ministro de Portos e Aeroportos que também comandou o Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte quer concorrer a uma vaga no Senado.

A ala da campanha que defende França como candidato argumenta que o palanque em São Paulo ficaria mais próximo do centro, podendo angariar mais votos do eleitor indeciso. No PT, também há um grupo que defende que ele se candidate a vice-governador na chapa com Haddad, mas o ex-ministro insiste em concorrer ao Senado.

Por outro lado, os quadros que defendem a chapa com Marina Silva afirmam que ela tem pontuado bem nas pesquisas e avaliam que duas candidatas mulheres fortalecem o palanque de Lula no estado.

Coordenador do grupo de trabalho eleitoral do PT, o deputado federal Jilmar Tatto afirmou ao g1 que é preciso definir quem ocupará a vaga de vice de Haddad e também o impasse em relação ao Senado.

“Precisa resolver a questão da vice do Haddad e tem uma sobreposição, vamos chamar assim, de candidatos ao Senado que precisa resolver. É um problema? É, mas é um problema bom”, declarou.

Montagem com fotos dos pré-candidatos a governador de São Paulo: Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT) — Foto: Miguel Pessoa/Código 19/Estadão Conteúdo e Ton Molina/Fotoarena/Estadão Conteúdo

Tarcísio busca a reeleição e tem a missão de transferir votos para Flávio na corrida presidencial, para a qual chegou a ser cotado e era o preferido dos partidos do Centrão.

A chapa contará ainda com deputado e ex-secretário de Segurança de Tarcísio Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL), como nomes ao Senado.

Apesar de ter declarado apoio público à candidatura, Tarcísio não tem sido uma figura ativa na pré-campanha de Flávio, adotando um distanciamento estratégico após a revelação das conversas do senador com Daniel Vorcaro.

“Como eu falei, eu acho que tem muitas questões que ele mesmo precisa explicar. A população está vendo esse escândalo do Banco Master, que é uma coisa que agride a sociedade como um todo. Isso deixa a sociedade em alerta e aí tudo tem que ser muito bem explicado”, declarou Tarcísio em coletiva no dia 26 de maio.

Nesta semana, o governador declarou apoio à autonomia da Polícia Civil após a corporação deflagrar uma operação para investigar se recursos públicos repassados pela Prefeitura de São Paulo à ONG Instituto Conhecer Brasil (ICB), contratada para instalar 5 mil pontos de Wi-Fi em vias públicas da cidade, foram desviados para custear a produção do filme biográfico de Jair Bolsonaro, “Dark Horse”.

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Minas Gerais

Segundo maior colégio eleitoral do país, com 16,7 milhões de eleitores, Minas Gerais tem a fama de decidir a eleição presidencial. “Quem ganha em Minas, ganha no Brasil” é uma expressão que se confirma em todas as eleições desde a redemocratização.

É justamente em Minas, no entanto, que as duas campanhas enfrentam mais dificuldades para montar o palanque.

Lula apostou suas fichas durante todo o ano passado no ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSB-MG) para concorrer ao estado e encabeçar seu palanque em Minas.

Após meses de indefinição, Pacheco declarou na sexta-feira (29) que não será candidato e que deixará a vida pública.

“Tenho uma vida plenamente realizada e é sempre o momento da gente avaliar ciclos. Há um fechamento de ciclo na política que eu decidi fazer com o sentimento de dever cumprido”, afirmou.

Diante desse cenário, há uma indefinição do candidato de Lula ao governo de Minas. Nas últimas semanas, ganhou força o nome de Josué Gomes da Silva (PSB), ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

O empresário e filho de José de Alencar, que ocupou a vice-presidência nos dois primeiros mandatos de Lula (2003–2006 e 2007–2010), se reuniu no último sábado (30) em Minas com Edinho Silva, presidente do PT, para tratar de uma possível candidatura.

Sem uma definição, Edinho conversou nesta quarta-feira (3) com o ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte e pré-candidato ao governo Gabriel Azevedo (MDB).

O ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT), que encabeçou a chapa de Lula em 2022, é pré-candidato. Apesar do histórico, há dúvidas na campanha de Lula se Kalil seria o melhor cabo eleitoral no estado, já que na última eleição foi derrotado no primeiro turno pelo então governador Romeu Zema (Novo).

Outra opção seria a ex-prefeita de Contagem Marília Campos (PT). No entanto, ela lidera as pesquisas para o Senado e a preferência tanto dela quanto do partido é pela disputa a uma vaga no Legislativo.

Pelo lado de Flávio Bolsonaro, há outros desafios em Minas. Aliado de Jair Bolsonaro em 2022, o ex-governador Romeu Zema tem se colocado como uma alternativa, inclusive a Flávio, para a Presidência da República nas eleições deste ano.

Apesar de um alinhamento ideológico, Zema foi um dos primeiros a criticar o senador após as revelações das conexões do parlamentar com Vorcaro.

Na última terça-feira (2), os dois se encontraram em Belo Horizonte pela primeira vez desde que Zema criticou Flávio dizendo que “não adianta nada criticar as práticas de Lula e do PT e fazer a mesma coisa”.

Em um clima mais cordial, os dois falaram em união da direita para derrotar o PT no segundo turno.

O grupo político de Zema lançou o atual governador, Mateus Simões (PSD), e o PL cogita a candidatura de Flávio Roscoe, ex-presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), para o governo.

Apesar dos movimentos, o líder nas pesquisas é o senador Cleitinho (Republicanos), colega de Flávio na oposição a Lula no Senado. Uma ala do PL tenta construir uma candidatura encabeçada por Cleitinho e tendo Roscoe como vice, mas o cenário segue indefinido.

Questionado pelo g1, Cleitinho disse que não fará especulações e só falará sobre campanha em agosto. “Isso [candidatura] eu só vou definir e falar depois de julho”, afirmou.

Nesse cenário, a principal aposta de Flávio para conquistar votos em Minas é o deputado federal Nikolas Ferreira (PL).

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Rio de Janeiro

No Rio de Janeiro, reduto eleitoral de Flávio Bolsonaro, o senador enfrenta incertezas para fechar um palanque.

A indefinição decorre da desistência do ex-governador Cláudio Castro de disputar uma vaga no Senado após ser alvo de duas operações da Polícia Federal e responder a diferentes ações judiciais.

As suspeitas são de corrupção, uso político da máquina pública e favorecimento empresarial durante sua gestão à frente do Palácio Guanabara.

A desistência abriu uma vaga na chapa do pré-candidato ao governo do Rio, Douglas Ruas (PL), que preside a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

Na disputa estão os deputados federais, Sóstenes Cavalcante (PL), que lidera o PL na Câmara, Carlos Jordy (PL), que é líder da oposição na Casa, e Carlos Portinho (PL), senador que, com a saída de Castro, pretende disputar a reeleição. A outra vaga é do ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella (União Brasil).

Por outro lado, o palanque de Lula está definido com o ex-prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes (PSD), concorrendo ao governo do estado, e Benedita da Silva (PT), na disputa ao Senado.

Para Jilmar Tatto, que está coordenando o grupo de trabalho eleitoral do PT, as operações contra aliados de Flávio Bolsonaro aumentam as chances de Lula e de seus aliados no Rio.

“O próprio governador [ex-governador Cláudio Castro] já não é mais candidato ao Senado em função dessas buscas e apreensão. Acho que nós temos grandes condições de crescer a votação no Rio de Janeiro”, afirmou.

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Bahia

Na Bahia, governada pelo PT desde 2006 e onde Lula teve 72% dos votos em 2022, Flávio Bolsonaro enfrenta dificuldade em encontrar um palanque. O PL está na chapa de ACM Neto, nome do União Brasil ao governo do estado contra o PT, mas que não declarou apoio à candidatura de Flávio à presidência da República.

Apesar da aliança com o PL, que terá o ex-ministro de Bolsonaro João Roma, como candidato ao Senado, Neto tem evitado declarar apoio a Flávio Bolsonaro e já fez sinalizações a Ronaldo Caiado, pré-candidato à presidência pelo PSD.

A chapa de Neto conta ainda com o senador Angelo Coronel (PSD) disputando a reeleição. Coronel foi da base do presidente Lula até o início deste ano, quando rompeu com o grupo político da situação no estado por não ter espaço na chapa do governador Jerônimo Rodrigues (PT).

A chapa de Lula na Bahia será a chamada “puro sangue” com petistas em todas as vagas de eleições majoritárias. Jerônimo Rodrigues disputará a reeleição, enquanto o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT), e o ex-ministro da Casa Civil Rui Costa (PT) irão concorrer às vagas de senador.

Apesar da chapa petista, o grupo conta com o apoio do PSD local, que nas eleições de 2024 conquistou 116 prefeituras.

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Paraná

No Paraná, quinto maior colégio eleitoral com 8,9 milhões de eleitores, Flávio Bolsonaro fechou com uma chapa que terá no palanque o senador Sergio Moro (PL) concorrendo ao governo, e o ex-deputado federal Deltan Dallagnol (Novo), como candidato ao Senado.

O senador Sergio Moro também saiu em defesa de Flávio Bolsonaro e afirmou que adversários tentam “inverter narrativas” sobre o pedido de dinheiro ao dono do Banco Master para o filme sobre o ex-presidente — Foto: Jefferson Barbosa/EPTV

O senador Sergio Moro também saiu em defesa de Flávio Bolsonaro e afirmou que adversários tentam “inverter narrativas” sobre o pedido de dinheiro ao dono do Banco Master para o filme sobre o ex-presidente — Foto: Jefferson Barbosa/EPTV

A outra vaga para senador terá o deputado federal Filipe Barros (PL) como candidato.

O palanque de Lula terá o deputado estadual Roberto Requião Filho (PDT), como candidato ao governo, e a ex-ministra de Relações Institucionais e deputada federal Gleisi Hoffmann (PT) concorrendo ao Senado.

FONTE- Gl

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