EUA atacam cerca de 90 alvos militares iranianos
Entre as estruturas destruídas ou danificadas estão sistemas de defesa aérea, ativos de vigilância costeira, locais de armazenamento de mísseis e drones, capacidades navais e infraestrutura de logística militar.
Por Redação g1
09/07/2026 00h21 Atualizado há 7 horas
- O Comando Central dos EUA realizou novos ataques contra cerca de 90 alvos militares no Irã nesta quarta-feira (8). O objetivo é reduzir ataques iranianos a navios no Estreito de Ormuz.
- Os bombardeios americanos destruíram sistemas de defesa aérea, locais de armazenamento de mísseis e drones, além de infraestruturas de logística militar ao longo da costa iraniana.
- O presidente Donald Trump declarou nesta quarta-feira (8) que o pacto com Teerã “acabou”. Ele alertou sobre novas ofensivas e ameaçou atingir sistemas de energia e água iranianos.
- Em resposta, fontes iranianas ameaçaram fechar o Estreito de Ormuz. Além disso, a Guarda Revolucionária assumiu ataques contra bases militares dos EUA no Kuwait e Bahrein.

EUA realiza nova onda de ataques no Irã
As forças do Comando Central dos EUA (Centcom) realizaram uma nova rodada de ataques contra o Irã nesta quarta-feira (8), com o objetivo de reduzir a capacidade do país de atacar navios comerciais e marinheiros civis no Estreito de Ormuz.
Segundo o comunicado emitido pelas forças americanas, a ação militar atingiu cerca de 90 alvos estratégicos ao longo da costa iraniana. Entre as estruturas destruídas ou danificadas estão sistemas de defesa aérea, ativos de vigilância costeira, locais de armazenamento de mísseis e drones, capacidades navais e infraestrutura de logística militar.
Valiollah Hayati, vice-governador de Khuzestan, disse a repórteres que três pessoas foram mortas e várias ficaram feridas no ataque na periferia da cidade de Ahvaz, segundo a agência iraniana Irna.
A ofensiva desta quarta-feira dá continuidade a uma primeira onda de ataques realizada na noite anterior. Na terça-feira (7), as forças do Centcom já haviam bombardeado aproximadamente 80 alvos militares no Irã, incluindo mais de 60 pequenas embarcações do Corpo da Guarda da Revolução Islâmica.

EUA atacam cerca de 90 alvos militares iranianos
Segundo a mídia estatal iraniana, oito soldados pertencentes à Força Aérea e à Marinha morreram durante esses bombardeios de terça nas cidades de Bandar Abbas e Bushehr.
De acordo com o governo americano, a retaliação inicial foi uma resposta direta à violação de um acordo de cessar-fogo por parte do Irã, após o país ter atacado três embarcações comerciais que navegavam pelo Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes do mundo para o comércio global e o transporte de petróleo.
Também na quarta, a Guarda Revolucionária do Irã ameaçou atacar outras bases militares americanas na região após ter assumido ataques no Bahrein e Kuwait.
A popa danificada de um navio graneleiro operado pela empresa sul-coreana HMM, após ser atingido por dois objetos não identificados em Ormuz, em maio de 2026 — Foto: Ministério das Relações Exteriores da Coreia do Sul/Divulgação via REUTERS
Trump decreta fim de acordo e promete novos ataques
A escalada militar ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira (8) com as declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Durante uma coletiva de imprensa em Ancara, na Turquia, ao lado do secretário-geral da Otan, Mark Rutte, antes de uma cúpula da aliança, Trump afirmou que o pacto com Teerã “acabou”.
“Para mim, acho que [o acordo de paz] acabou. Eu não quero mais lidar com eles [Irã]. Eles são a escória, são liderados por pessoas doentes e são um povo maldoso e violento. (…) Vou falar com meus negociadores, mas é uma perda de tempo lidar com eles. Até onde eu sei, acabou”, disparou o presidente americano.

Trump diz que cessar-fogo com o Irã acabou
Pouco depois, antes de uma reunião bilateral com o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, Trump diminuiu levemente o tom e falou não ter “certeza se o acordo vai se manter”, mas condenou o fato de o Irã ter afundado 28 embarcações na terça-feira (7) e sinalizou que a ofensiva vai continuar.
“Vou dar um pequeno aviso: vamos atacá-los com força esta noite”, declarou a repórteres, acrescentando: “Se for preciso, cortaremos o sistema de energia elétrica e as estações de tratamento de água, mas não queremos isso”.
Irã ameaça fechar o Estreito de Ormuz
Em resposta direta às ameaças, o Irã fechará o Estreito de Ormuz caso ocorram novos ataques contra o país nesta quarta-feira, segundo a emissora iraniana Press TV. A informação partiu de uma fonte de segurança que falou de forma anônima.
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Embarcações ancoradas no Estreito de Ormuz, vistas de Musandam, Omã, em 3 de junho de 2026 — Foto: REUTERS/Stringer
A fonte também afirmou que Teerã atacará alvos “inimigos” numa proporção de pelo menos dois para um caso as promessas de Trump na Otan se concretizem. A via marítima, por onde passam 20% de todas as exportações de petróleo mundiais, havia sido reaberta justamente com o acordo do mês passado.
Ainda na quarta, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã divulgou em que assume ataque a bases militares dos Estados Unidos no Kuwait e Bahrein. A força armada do país também ameaçou expandir os ataques para outras bases americanas na região caso os EUA voltem a atacar.
A nota detalhou que a investida retaliatória mirou especificamente as instalações em Arifjan e Ali al-Salem, no Kuwait, e Jufayr e Sheikh Isa, no Bahrein. Na terça, a mídia estatal iraniana havia reconhecido explosões nas regiões de Bandar Abbas, Qeshm e Sirik.
Durante a noite, sirenes foram acionadas nos países parceiros dos americanos e os sistemas de defesa aérea acionados.
EUA atacam cerca de 90 alvos militares iranianos — Foto: Reprodução
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