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Por que o PT abriu mão de candidatura própria no RS para apoiar Juliana Brizola (PDT)

Juliana Brizola (PDT) recebeu apoio de Lula para disputar o governo do RS

Apoio à pré-candidatura de pedetista foi episódio de

oio à pré-candidatura de pedetista foi episódio de tensão entre diretório gaúcho e cúpula nacional do PT

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Júlia Bleichevel

15/04/26 – 07h00minEmBrasil

Atualizado em15/04/26 – 07h08min

Juliana Brizola (PDT) recebeu apoio de Lula (PT) para disputar o governo do RS  Foto: Ricardo Stuckert / Presidência da República

decisão do PT de apoiar o PDT na disputa pelo governo do Rio Grande do Sul, impulsionada pela articulação da pré-campanha presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva, expõe novamente divergências históricas entre as duas siglas no estado. A direção nacional atuou para que o diretório gaúcho recuasse da candidatura própria, uma movimentação longe de ser consensual entre as lideranças locais.

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O apoio foi oficializado em 9 de abril, sob orientação direta de Lula, consolidando uma composição estratégica: Edegar Pretto (PT) retirou sua pré-candidatura para viabilizar o nome da ex-deputada Juliana Brizola (PDT) ao governo gaúcho. Em contrapartida, o PDT passa a endossar a campanha pela reeleição do presidente.

O recuo é histórico por ser a primeira vez, desde a fundação do PT, que o partido não terá candidato próprio ao Palácio Piratini. Antes da oficialização, a militância e parte dos dirigentes defendiam a manutenção do projeto estadual, sob o receio de que a ausência de um nome encabeçando a chapa resultasse em perda de protagonismo político.

À IstoÉ, o líder do PT na Câmara, Paulo Pimenta, negou que o diretório estadual tenha sofrido pressão da cúpula nacional para abrir mão da disputa. O parlamentar admitiu, porém, que havia uma posição inicial favorável à candidatura própria, alterada apenas após a coordenação com a Executiva do partido.

“O PT do Rio Grande do Sul tinha uma posição de que a melhor estratégia seria ter um candidato próprio, mas houve um debate e foi construída uma visão sintonizada com a visão da nacional, a da importância de se ter uma frente ampla presidida por uma candidatura do PDT”, declarou Pimenta.

Imbróglio em 2024 acabou em derrota

As eleições municipais de 2024, em Porto Alegre, foram o palco mais recente dessa rivalidade. À época, o PDT lançou candidatura própria com Juliana Brizola e ofereceu resistência ao apoio a Maria do Rosário (PT). Com a passagem da petista ao segundo turno, a aliança foi oficializada após intervenção da executiva nacional pedetista, em um movimento considerado tardio por analistas e que não evitou a derrota da esquerda no segundo turno. Sebastião Melo (MDB) acabou reeleito com 61,53% dos votos, contra os 38,47% de Rosário.

“Devido à orientação da Executiva Nacional do PDT, o Diretório Municipal de Porto Alegre declara apoio à candidatura de Maria do Rosário (PT). Embora o PDT Porto Alegre tenha emitido um indicativo de não apoio a nenhuma das duas candidaturas postas atualmente no segundo turno da eleição municipal, seguirá orientação da Executiva Nacional do partido. Tal decisão da Direção Nacional se dá em função da reciprocidade com o apoio do PT aos nossos candidatos nos municípios de SERRA (ES), ARACAJU (SE) e NITERÓI (RJ)”, escreveu o partido na ocasião.

Maria do Rosário e Sebastião de Araújo Melo. Reprodução/Globonews

Articulações e alianças partidárias

O cenário atual é praticamente o inverso. Se antes o PDT foi pressionado a compor, desta vez é o PT que cede. O rearranjo evidencia o peso da articulação nacional comandada por figuras como Carlos Lupi, presidente licenciado do PDT, e Paulo Pimenta, um dos maiores articuladores petista da aliança. À reportagem, o deputado comentou que a estratégia do PT é de construir unidade no campo progressista em palanques em estados-chave.

Em Santa Catarina, a legenda deve oficializar apoio ao ex-deputado Gelson Merisio (PSB) para o governo do estado. A vice deve ficar com Ângela Albino (PDT), enquanto no Senado a tendência é que a chapa seja composta por Décio Lima (PT) e Afrânio Boppré (Psol).

Em Minas Gerais, o senador Rodrigo Pacheco oficializou sua filiação ao PSB no início deste mês, movimento estratégico para viabilizar sua candidatura ao governo estadual com o respaldo do PT. Apesar do anúncio, a composição da chapa majoritária permanece em aberto: tanto a vaga de vice quanto as definições para o Senado seguem em fase de articulação entre os partidos aliados, que buscam equilibrar os interesses da federação e das legendas de apoio.

Já no Tocantins, a articulação resultou na filiação da ex-senadora Kátia Abreu ao PT, reforçando a base de apoio ao presidente Lula na região.

A principal novidade fica pela tentativa petista de construir um acordo de não agressão entre com PDT e PSB, evitando disputas diretas entre os aliados nas eleições estaduais deste ano e garantindo unidade em torno do projeto de reeleição presidencial.

“Unidos, somos mais fortes e temos chances maiores de ganhar a eleição com um projeto político que representa o presidente Lula”, afirmou Pimenta.

O que dizem as pesquisas

O recuo estratégico do PT encontra justificativa na trajetória das pesquisas de intenção de voto. Em agosto de 2025, levantamento da Genial/Quaest já apontava a ex-deputada Juliana Brizola (PDT) na liderança com 21%, em empate técnico com o deputado Zucco (PL), que registrava 20%. Naquela ocasião, o nome do PT, Edegar Pretto, aparecia com 11%, uma distância de dez pontos percentuais da liderança, o que deu início aos debates internos sobre a viabilidade de uma candidatura própria.

O cenário mais recente, divulgado em abril de 2026 pelo instituto Futura Inteligência, confirma a consolidação dos favoritos, mas com uma inversão na ponta: Zucco aparece com 24% das intenções de voto, enquanto Juliana Brizola registra 21%. Diante da margem de erro de 3,5 pontos percentuais, os dois permanecem em empate técnico na liderança. O desempenho resiliente da pedetista, que mantém seu patamar de votos enquanto Zucco oscila positivamente, reforça a tese do PDT de que a ex-deputada é o nome mais competitivo para aglutinar o campo progressista.

Nos bastidores, a manutenção desse equilíbrio de forças entre os líderes impulsionou a decisão do PT de abrir mão da cabeça de chapa. A articulação agora foca na indicação de Edegar Pretto para a vaga de vice, visando formar uma frente única que impeça o avanço da oposição no estado e garanta um palanque estável para a campanha presidencial.

FONTE ISTO É

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