De diarista a piloto de avião nos EUA, goiana celebra conquistas: ‘É importante ser muito persistente’
Nascida e criada em Itaberaí, Fabricia Azevedo, de 28 anos, se mudou para os Estados Unidos sem saber falar inglês. Atualmente, ela pilota jatos executivos, inclusive em voos internacionais, e planeja tirar licença para pilotar aviões comerciais.
Por Rafaella Barros, g1 Goiás
10/04/2026 04h02 Atualizado há 20 horas
- Fabricia Azevedo, de 28 anos, é piloto de voos executivos nos Estados Unidos.
- A goiana saiu da pequena cidade de Itaberaí, no noroeste de Goiás, em 2018, para tentar a vida no exterior.
- Depois de trabalhar em várias profissões, como diarista e ajudante na construção civil, ela conseguiu realizar o sonho de ser piloto.
- Fabricia conta que a única viagem de avião que havia feito antes de se mudar para os EUA tinha sido a de Itaberaí para Palm Beach Gardens.

De diarista a piloto de avião nos EUA, goiana celebra conquistas
Com apenas 28 anos, Fabricia Azevedo vive um sonho nos Estados Unidos, onde mora, que acabou acontecendo de formas inesperadas, mas que a jovem atribui a pessoas boas que cruzaram o seu caminho desde quando ela saiu da pequena cidade de Itaberaí, no noroeste de Goiás. Depois de trabalhar em várias profissões, como diarista e ajudante na construção civil, a goiana hoje é piloto de voos executivos, inclusive internacionais.
Em entrevista ao g1, Fabricia contou que enquanto morava na sua cidade-natal nunca tinha pensado em se mudar para o exterior. “Na cidade pequena, a gente vê isso só na televisão”, comentou.
Em 2018, quando tinha 21 anos, ela trabalhava como vendedora de biquíni para a sua ex-sogra e fazia faculdade de direito em São Luís de Montes Belos. Quando o relacionamento com o ex-namorado chegou ao fim, ela repensou a própria vida pessoal e também profissional.
“E eu pensei: e agora? O que que eu vou fazer, né? Que eu vou ficar aqui em Itaberaí, se meu trabalho não der certo, como que eu vou pagar minha faculdade?”, disse.
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A goiana Fabricia Azevedo deixou Itaberaí e hoje mora nos Estados Unidos, onde trabalha como pilota de aviões executivos — Foto: Reprodução/ Perfil do Instagram de Fabricia Azevedo
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Um determinado dia, enquanto conversava com um amigo que morava em Palm Beach Gardens, na Flórida, nos Estados Unidos, ele lhe deu a ideia de se mudar para lá.
“E eu falei: mas como que eu vou tirar um visto? Minha família é muito humilde, a gente não tem nada no nome da gente, eles não vão aprovar”, relembrou.
Mas decidiu arriscar. A jovem vendeu o carro que tinha e pegou dinheiro emprestado para conseguir tirar o visto e custear a sua ida.
Visto aprovado, ela embarcou rumo ao desconhecido, tanto em relação ao país quanto à própria língua, uma vez que Fabricia não falava uma palavra sequer em inglês. Chegando à mesma cidade onde o amigo morava, ela alugou um quarto, que foi o que podia pagar na época, que ela ainda dividia com outra pessoa. Começava ali a sua jornada sem ela fazer a menor ideia que culminaria na aviação.
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Antes de se tornar piloto nos Estados Unidos, Fabricia Azevedo trabalhou como faxineira e na construção civil — Foto: Arquivo pessoal/ Fabricia Azevedo
Faxinas
Precisando de dinheiro, Fabricia começou a fazer faxinas nas casas dos norte-americanos. Mas não apenas isso. Atuou também na construção civil, em obras, fazendo a preparação de paredes antes de receberem pintura. “Naquela época, pela limitação da língua mesmo, era a mão de obra que dá pra fazer sem se comunicar”, afirmou.
Passados seis meses, ela já estava falando inglês com bastante desenvoltura, não por ter feito cursinho, mas porque desenvolveu métodos próprios dos brasileiros que sabem “se virar”.
“O quarto que eu alugava tinha todas as palavras em inglês. Eu tentava aprender pelo menos dez palavras por dia. Eu escrevia no meu braço, escrevia na minha mão, falava… saía de casa, falava com as pessoas na rua, ouvia YouTube, colocava no carro só inglês… e praticava, né?”, destaca.
De forma totalmente inesperada, foi o trabalho com faxinas que lhe abriu as portas para o mercado de aviação. A goiana conta que os proprietários de uma das casas que ela limpava tinham uma empresa que alugava aeronaves para clientes. Percebendo o seu progresso rápido no inglês, eles falaram que estavam precisando de uma aeromoça. “Porque eu sabia cozinhar, sabia fazer todos os drinks, né, essas coisas que aeromoça precisa saber. Mas mesmo assim, eu tive que fazer o curso”, detalhou.
A goiana destaca que, na ocasião, a única viagem de avião que havia feito tinha sido a de Itaberaí para Palm Beach Gardens. O passo seguinte ao do convite foi o curso e também a presença em uma convenção da National Business Aviation Association (NBAA), evento que reúne pilotos, aeromoças e outros profissionais do setor. “Foi aí que começou. Trabalhei por dois anos como aeromoça executiva de jato privado”, disse.
A versatilidade da jovem não parou por aí. Além de aeromoça, Fabricia decidiu trabalhar também como corretora de imóveis, profissão muito bem remunerada nos Estados Unidos. Nos dias em que ela não estava voando, ela vendia casas.